LIXO ZERO NA ALIMENTAÇÃO



Quando trabalhei em restaurantes, fiquei chocada com a quantidade de lixo, não só orgânico (restos de comidas ou "aparas" que não estavam dentro do corte ideal e que portanto iam para o lixo), mas também de embalagens.

Depois do Couraveg, fiquei ainda mais sensibilizada com essa questão e não é para menos: sabemos que precisamos urgentemente reduzir nosso lixo e pegada de carbono para que o mundo continue (ou volte) a ser mundo, não é?

Fiz uma série de posts no Instagram sobre como reduzir nosso lixo através da alimentação. Vou deixar reunidas aqui as cinco dicas que compartilhei por lá. Esse tema gerou muito interesse, o que me deixou feliz porque é algo que amo investigar e botar em prática cada vez mais no meu dia-a-dia na cozinha.

Esse post não é para apontar o dedo na cara de ninguém, muito menos pretende ser um guia da perfeita zero waste. Trago ideias e sugestões para você começar já, da onde está, com as condições que tem, a aproveitar melhor os alimentos e fazer escolhas mais conscientes. É tudo um processo e de passinho em passinho vamos juntas e mais longe!



DICA 1: USAR SACOS E SACOLAS DE PANO E HONRAR AS DE PLÁSTICO




Quem é você na fila do pão? Eu sou aquela que guarda o saco para usar depois. E quando acabo pegando algum saco de plástico por aí eu choro, mas honro a vida dele até rasgar, afinal ele é um material resistente e pode ser reutilizado várias vezes.

O ideal? É não aceitar nem o saco de papel, nem o de plástico, mas andar sempre com uma sacola grande e sacos de pano quando for à feira.

Se eu faço isso? Faço. Sempre! Mas mesmo assim, é como já disse, eu fico revoltada comigo mesma todas as vezes que preciso pegar um saco plástico, mas na vida real isso infelizmente às vezes acontece, embora tenha acontecido cada vez menos e espero em breve dizer ADEUS à essa comodidade extremamente prejudicial.

Fiquei com vontade de fazer um calendário aqui do tipo "estamos há X dias sem acidentes": "estamos há X dias sem pegar sacos plásticos". Sério. Vou fazer.

Até lá, vou lavando e botando para sacar não só os saquinhos de pano, mas os de plástico que infelizmente, por pura falta de educação, acabei acumulando.

Quem se empolgar com os saquinhos de pano, geralmente vende em mercados biológicos/orgânicos, mas aquele saquinho de lavar roupa funciona bem também 😅. Gostaram dessa dica? Alguém aí leva seus próprios saquinhos para a feira/ mercado também? Me conta 💚.


DICA 2: GUARDAR CASCAS, TALOS E SOBRA PARA FAZER UM BELO CALDO DE LEGUMES



Um bom caldo deixa qualquer risoto, sopa e molho mais gostoso 🥰. Que tal fazer um reaproveitando o que iria para o lixo? É muito simples: basta ir congelando as cascas, aparas e sobras todas de legumes e vegetais e jogar no saco do congelador ao invés de jogar no saco do lixo 😉.

Eu guardo tudo mesmo, até talos de cogumelos, couve e temperos como salsinha. Na hora de fazer o caldo, é só refogar em uma panela grande com um pouco de azeite até amolecer e depois acrescentar água na proporção 1 de restos não mortais ✌🏽 para 4 de água.

Depois que ferver, baixe o fogo e deixe reduzir 1/4 da quantidade de água. Agora é só coar, colocar em garrafinhas e esperar esfriar bem caso queira congelar (se for congelar e a garrafa for de vidro, não encha até a boca para não correr o risco de explodir no congelador).

Os resíduos do caldo você pode bater no mixer/varinha mágica com um pouco de batata cozida para fazer um belo purê 👌🏽.

E esse saco plástico da foto 😱? Teve sua vida honrada, não é?

Gostou dessa dica?

Quem já fez?

Bora congelar os restinhos?


DICA 3: COMPRE A GRANEL



E porquê comprar a granel é uma prática sustentável na alimentação?

1. Menos lixo: não tem embalagem, você compra o grão/cereal/castanha direto do recipiente de armazenamento😅. Você pode levar os potes na loja/feira (e pedir para “tarar” o pote na leitura da balança, ou seja, zerar para só o peso do alimento contar), pode levar aqueles saquinhos de pano, de papel ou ainda aproveitar para usar aqueles saquinhos de plástico que estão na gaveta da sua cozinha 🙌🏽.

2. Pequenos produtores: comprar a granel não garante, mas aumenta muito a chance de estarmos comprando de pequenos produtores que geralmente não têm acesso à comercialização em grandes mercados e sistemas de distribuição. Habitar o campo com vidas humanas, e não (só) com máquinas é fundamental para todos os aspectos (social, ambiental e econômico) da sustentabilidade.

3. Biodiversidade: imagina onde é que eu achei um feijão metade branco/metade preto? No comércio a granel , mais especificamente em uma feira de rua. Comprando variedades diferentes dos alimentos que estamos acostumadas (os) a comer, fortalecemos um tipo de agricultura que é bem mais saudável para o solo do que a monocultura. .

Agora cá entre nós: sou só eu que sou apaixonada por essa prateleira cheia de potinhos com nome e tudo ou você também se apaixonou 🥰?


4. DICA 4: MAIS CASCAS, MENOS EMBALAGENS



Comer utilizando mais cascas e menos embalagens é um jeito óbvio de gerar menos lixo com a nossa alimentação, mas sei que nem sempre isso é simples. Eu sou daquelas que ama fazer tudo do zero, com ingredientes frescos e o mais próximo possível da terra.

Sinto que estou cuidando bem de mim e do mundo todas as vezes que faço meu próprio molho de tomate, meu leite vegetal, meu biscoito, bolo, pão e as pastinhas que vou botar no pão.

Mas quando me mudei para Lisboa, o primeiro mês foi tão, mas tão caótico que eu comprei muita coisa pronta e, se agora já consegui me organizar para voltar a fazer quase tudo a partir de alimentos frescos, tem duas coisas que me acostumei e que tá difícil de abrir mão, o leite vegetal e o iogurte de soja.

Curioso que no Brasil eu vivi minha vida inteira sem comprar esses produtos e, quando virei vegana, passei a fazer meu leite, mas aqui a oferta é tão grande e o preço tão baixo que “cedi” à esse pequeno luxo que está, no entanto, aumentando consideravelmente o lixo que minha alimentação gera 🥺. Voltei do Couraveg estimulada a repensar esse consumo.

E vc, consegue reconhecer algo que tem consumido, que gera lixo, e que de repente poderia produzido por você mesma? Sem julgamentos. Esse espaço é para a gente acolher e se fortalecer ✊🏽.

Produzir nosso próprio alimento demanda tempo sim, mas tem escolhas que são muito mais simples e das quais não precisei abrir mão, mesmo em meio à correria. Por exemplo, quando me pego desprevinida e faminta (não se esqueçam, sou taurina 😂) na rua, minha primeira opção é sempre a banca de frutas. .

Além do incentivo ambiental, cozinhar e se alimentar utilizando mais cascas e menos embalagens é uma escolha que gera impactos positivos no seu corpo e na sua saúde. Faça um teste e leia o rótulo de algum produto que vc tem em casa e que poderia fazer a partir de ingredientes frescos, tipo um molho de tomate. Você reconhece todos os ingredientes? Consegue pronunciar todos os nomes?

Como diria Michael Polan: não coma nada que sua avó versão vegana não reconheceria por comida (o “versão vegana” foi uma atualização minha hehe, liberdade poética 😜).

5. COMER DA RAÍZ ÀS PONTAS



Quando você compra cenoura, beterraba, brócolis, couve-flor e rabanete na feira, pede com as folhas e ramas ou sem? Aliás, uma pergunta anterior à essa é: você tem o direito de fazer essa escolha?

Essa cenoura e beterraba da foto não custam mais caro por fornecerem mais alimento e nutrientes. No entanto, já recebi mensagens dizendo que cenoura com folha é coisa de feira chique, o que me deixou perplexa com a apropriação que o capitalismo faz de absolutamente tudo, inclusive do lixo.

Pessoaaaal esse “luxo” é um direito de todas e todos nós, e basta a gente pedir na feira, e insistir até o feirante parar de cortar as folhas! E se ele te disser que já compra assim, talvez seja o momento certo de você procurar outra barraca na feira, garanto que você vai encontrar pessoas que estão mais próximas dos alimentos que vendem.

Quando eu morava em São Paulo, muitas vezes eu deixava de comprar couve e outras verduras verdes escuras e enchia meu carrinho só com o que os feirantes cortavam e desprezavam. Com essas folhas dá para fazer suco verde, mas isso não é tudo. As folhas do brócolis e da couve-flor fazem as vezes da couve e ficam DELICIOSAS bem refogadinhas. Alguém aí já provou?

As ramas da cenoura é super aromática e contém mais nutrientes que a própria cenoura. Vai bem em vinagretes no lugar da salsinha, em pestos no lugar do manjericão e em sopas.

As folhas da beterraba também são riquíssimas, mas devem ser consumidas preferencialmente cozidas já que são, assim como o espinafre, fontes de oxalato, substância que atrapalha a absorção de nutrientes e deve ser evitada por quem tem tendência à formação de pedras nos rins. Tanto os talos quanto as folhas da beterraba podem ser refogadas, e, depois que me mudei para Portugal, caí nas graças do “esparregado”, tipo de purê com folhas trituradas, desde então tenho consumido elas bastante desse jeito.

Se você não tem o hábito de cozinhar da raíz às pontas, tá tudo bem. Fica aqui a provocação para você testar (e para eu compartilhar umas receitinhas 😂 né?).


Gostaram das dicas? Então aproveita para compartilhar com aquela pessoa que anda preocupada com nosso meio ambiente que ela também vai gostar!

Ah, se vocês tiverem outras dicas ou comentários deixa aqui embaixo que a gente se inspira!

#luisamafeicozinhafetiva #vegan #govegan #comidadeverdade #plantbased #lixozero #zerowaste #lixozerolm

0 visualização

Posts recentes

Faça parte do canal da jornada 333 no Telegram

Quer dicas e receitas diárias?

  • YouTube
  • Pinterest
  • Instagram
  • Facebook Luisa Mafei

©2019 by Luisa Mafei Cozinha Afetiva