Olá, seja bem-vinda(o)

Pessoaaaal, olá!

Não sei se você me acompanha no Instagram, se me conhece do teatro, da faculdade de Ciências Sociais, das batalhas de rap ou se caiu aqui por acaso…Meu nome é Luisa, prazer!

Bom, vou direto ao ponto: comecei a cozinhar para tratar dos meus distúrbios alimentares. E, se eu estou indo direto ao bolo sem untar a forma, é porque sinto que precisamos mesmo escancarar esse assunto porque ele afeta muitas pessoas.

Então antes de seguir, deixa eu dividir com vocês duas coisas:

Se sua história passa por distúrbios alimentares: você não está sozinha(o) e você não é o seu distúrbio alimentar. Vou falar bastante sobre isso por aqui, mas já fica com isso na sua cabeça, porque eu sei que às vezes a gente só consegue se ver como protagonista de uma tragédia grega, onde nosso destino é inevitavelmente COMER (seja em excesso, em falta, em regras) e se sentir uma estranha em nosso próprio corpo, mas você não é o Édipo Rei, ok?

Se você quer ser vegan ou pelo menos comer menos alimentos de origem animal e acha isso muito difícil: deixa eu te contar que para mim veganismo não tem sido nada sobre restrição, mas sim inclusão!

Juntei distúrbio alimentar e veganismo no mesmo balaio para dizer que em comum eles não tem nada, tá? Até o final do texto vou separar melhor o joio do trigo a partir da evidência científica de Minha Própria História, publicada por Harvard.

Hoje sou Chef, sou consultora, sou vegana e amo compartilhar receitas, mas o que me motivou a começar a cozinhar foi o (nada) simples desejo de mudar minha relação com meu corpo.

Talvez você tenha assistido “Canto para Rinocerontes e Homens” (comenta aqui!), nessa peça eu emprestei minha própria história para falar de culto à beleza, padrões estéticos e distúrbios alimentares. E eu falava como se já tivesse superado aquela história que era minha e ninguém sabia, mas eu estava levantando no palco uma bandeira que não conseguia sustentar na vida. Eu me sentia péssima e quase com uma dupla personalidade. Ao mesmo tempo, percebia a cada apresentação o quanto a minha história era a de muitas mulheres que vinham me abraçar ou que me escreviam. Isso me deu força e coragem para que eu tornasse minha história pública.

Comecei a cozinhar para me curar e, se me sinto curada hoje, também não me sinto: essa cura é um exercício de atenção e de cuidados permanentes. Todas as minhas receitas são registros de refeições e de lanchinhos que meu corpo conseguiu aceitar para se recuperar de verdade, para sempre, e não do jeito que me foi exigido quando eu tinha anorexia (vou falar disso em outro post). Meu trabalho como chef e consultora hoje é consequência (quase) natural disso, é fruto do exercício e do aprimoramento dessa cozinha que nasceu na pungência de viver e de (me) deixar viver.

Sim, passa pelo veganismo. Mas vou ser sincera: eu virei vegana por mim mesma, pela minha saúde, em oposição à lógica (sem lógica nenhuma) da restrição-punição-perfeição que eu estava seguindo, contando calorias loucamente, me matando para eliminá-las. Para conseguir sair dessa “lógica”, fui aos poucos deixando para trás a obsessão por ser magra e coloquei a saúde como meta no lugar do peso na balança. E pelo estudo de Harvard de Minha História, foi com uma alimentação sem nada de origem animal que me senti e me sinto saudável no e com meu corpo.

Não foi pelos animais. Nem pelo mundo. Foi por mim, pela minha vontade de viver de um jeito diferente, pelo meu processo de cura. Mas essa escolha “egoísta” foi logo ganhando camadas e hoje passa largamente pelos animais, questões ambientais, sustentabilidade, respeito à terra, aos trabalhadores rurais e por nossa soberania alimentar. Quanto mais eu sinto compaixão por todas as formas de vida e pelo mundo que habitamos, mais eu amplio a capacidade de amar, receber amor e de cuidar de mim mesma. Por essas e outras, chamo minha cozinha de afetiva.

Às vezes as pessoas - e eu mesma - me questionam se eu não estou me privando. Isso me deixa maluca. Minha experiência me diz que veganismo não é privação, embora às vezes, principalmente em viagens, eu sinta sim vontade de comer comidinhas locais e me venha um sentimento horrível de privação. Mas, daí eu me lembro que isso foi uma escolha. Já meus anos de distúrbios alimentares não foram nem de longe uma escolha. Todas as dietas que fiz antes foram restrições, o veganismo, não, porque ele não é uma dieta, e também não é só um jeito de se alimentar. Para mim, veganismo é, ainda mais do que uma escolha, a minha forma de ativismo. Inclusive pela saúde mental, porque foi dentro dele que consegui enfim incluir no prato tudo aquilo que acredito que me dá mais energia e que potencializa minha vida.

Por hoje é só, pessoal (sim, tenho 32 anos, assistia Looney Tunes).

Quem leu até aqui me dá um alô nos comentários para eu não sentir que estou falando sozinha, haha <3


Essa sou eu encontrando flores no meu caminho.

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