Couraveg: a revolução será comida!

Confesso: nunca havia cozinhado para tanta gente!

Quando a Luísa Ferreira do blog Sardinha Fora da Lata me convidou para estar ao seu lado na missão de preparar um jantar em 5 tempos para os 80 convidados do CouraVeg (Congresso Internacional Paredes de Coura Vegetariana) eu disse um "sim, claro". Ao desligar o telefone, me joguei no chão e comecei a rir de nervoso e de felicidade. O riso evoluiu para um choro de emoção (juro que era emoção e não medo haha. Tá. Talvez um pouco dos dois). Sério. Eu já estava feliz porque participaria do Congresso de qualquer jeito, na platéia, para ouvir pessoas que admiro como Jane Bauer, do Farm Sanctuary, Anna Masielo, da Hero to Zero e a Cristal Muniz do blog Uma Vida sem Lixo. Ter a oportunidade de expandir minha presença no Congresso para a cozinha era algo que eu nem sequer contava e aconteceu de um jeito tão orgânico que, ao mesmo tempo, parece que já estava escrito e eu não sabia.

Quem não conhece o trabalho da minha xará Luísa precisa conhecer. Ela recria pratos portugueses em versões 100% vegetais com muita maestria. O menu foi todo pensado por ela e não poderia ter sido melhor. Claro que tivemos um toque brasileiro, com os pãezinhos de não queijo servidos na entrada, e incluímos também meu homus roxo para colorir ainda mais a mesa.

Pena não termos fotos para comprovar as gostosuras que fizemos, mas temos aqui alguns registros da organização que não nos deixam mentir!

Não sei dizer o que mais gostei dessa experiência, porque gostei de tudo: da comida, das pessoas que se sentaram à mesa, do que pude ver no congresso, de trabalhar mais uma vez ao lado da minha xará. Tudo, sem tirar nem por. E ainda pude exercer uma cozinha rigorosa no quesito qualidade e apresentação dos pratos, mas, nem por isso, menos afetiva. Trabalhamos ao lado de 4 cozinheiras incríveis, que tanto nos ensinaram de calma, paciência e confiança ao prepararmos o menu. Estavámos obviamente nervosas e preocupadas em fazer tudo sair bem, enquanto essas 4 cozinheiras estavam muito tranquilas, sabe porquê? Porque elas já são há muitos anos as merendeiras de uma escola de Paredes de Coura. Elas servem, diariamente, mais de 300 crianças, que são dos públicos mais exigentes, porquê elas estariam preocupadas em agradar ou não os oradores, não é verdade? Elas estavam, isso sim, comprometidas em fazer uma comida bem feita, saborosa, no ponto certo e na hora certa. Mas com calma, leveza, tempo para tomar um café e até para conversar. Algo muito diferente da pressão e gritaria ou do silêncio absoluto que muitas vezes são imperativos das cozinhas profissionais da alta gastronomia.

Nunca tinha trabalhado só com mulheres no comando. Historicamente foram as mulheres que foram para a cozinha e para mim é sempre estranho pensar que tem mais homens chefs do que mulheres chefs nos restaurantes estrela michelin. Eu, que tive o privilégio de ter estagiado no Maní, com uma chef que já foi eleita a melhor do mundo, Helena Rizzo, não tenho a menor dúvida de que a dolmã, esse uniforme bonito de chef, precisa ser vestida por mais e mais mulhers. Momento fofoca: no dia seguinte passamos na cozinha para dar oi para as cozinheiras e lá estavam elas, em silêncio absoluto sob a batuta de um chef que sequer respondeu ao meu bom dia. Bora desmilitarizar a cozinha e conquistar o espaço da cozinha como um lugar de escolha, profissão, ou, em casa, de auto-cuidado e afeto.

Bora trabalhar com cores, texturas, sabores, saúde e respeito à todas as formas de vida e ao mundo em que vivemos.

A revolução será comida!

Nós duas concentradissimas no empratamento da salada outonal


Nós duas mais concentradas ainda colhendo frutas na manhã seguinte 😂

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